Em 2005 tínhamos uma AMCEU em vias de decadência, mas ainda garantindo
a mínima gestão da casa e seus espaços. Para ocupar o terraço, por
exemplo, era preciso apenas pegar um documento na portaria, preencher
os dados requisitados e pedir que alguém da AMCEU (qualquer membro)
assinasse para se efetuar a reserva do espaço. Faziam-se festas de
aniversário, de confraternização, churrascos, reuniões a céu aberto,
ensaios de teatro, etc sem precisar nenhum aval da direção e do SAE.
Até 2004 eram comuns as festas na sala X (famosas e lembradas até hoje
pelos estudantes da Ufrgs em geral). Costumava-se vender cerveja mais
barata que nas Catacumbas (porão do prédio antigo da engenharia),
assim superlotando o segundo andar com o pessoal que estava circulando
entre as Catacumbas e a sala X. Bons tempos... A AMCEU comprou dois
frizzers com o dinheiro ganho nas festas. Também lutou junto dos
demais moradores pela instalação dos cabos de internet nos quartos,
revisão do estatuto da casa, etc.
Em 2006 AMCEU continuou nessa linha decadente com reuniões fechadas e
culminando no final de 2007 com apenas uma pessoa se responsabilizando
pelo diálogo entre direção e casa.
Não houve mais interesse dos moradores em fazer parte desse diálogo e
como é de se esperar, ele deixou de existir. Os moradores,
individualmente faziam suas reivindicações à direção, mesmo que
contrárias ou inadequadas aos demais moradores. Perdeu-se ainda mais a
noção de coletividade na casa.
Em 2008 foram abertas as inscrições de chapas para a associação, mas
ninguém quis saber. Apenas um grupo de pessoas, maior parte ligadas
por relações de amizade, assumiu essa "bronca" entre os moradores e a
direção da casa e o SAE. Tínhamos (aqui me incluo como amceuniano)
interesse, principalmente, em retomar a gestão dos espaços que vinham
sendo fechados ou controlados excessivamente pela direção - sala X,
terraço, nono andar, etc. Também, em promover atividades de integração
entre os moradores, espaços de convivência e de troca. E fazer novas
reivindicações: DVD para a sala de TV, almoço nos finais de semana,
preferência de moradores de casa de estudante no trabalho de fiscal no
vestibular, mais máquinas de lavar roupa e computadores, entre outras.
Agora, final de ano, próximos à eleição de uma associação, fazemos um
balanço prévio de nossa gestão e ficamos preocupados. Notamos que
durante este ultimo ano a AMCEU conseguiu perder sua sala , que era no
segundo andar e foi cedida aos estudantes do intercâmbio em troca de
salas no nono andar, ainda em desuso e fechadas. O terraço, agora,
está fechado por motivos obscuros, a SAE nos alega as razões mais
esdrúxulas, assim como a sala X, que cada vez mais tem seu uso mais
restrito e controlado pela direção e SAE. Festas no terraço e na sala
X estão proibidas. [ Logo, pode ocorrer também nos halls: único lugar
possível ] A AMCEU apenas perdeu autonomia nessas questões dos espaços
coletivos da casa. E pior, não organizou uma festa sequer!
Que fez então? - a pergunta que não quer calar. Bom, acompanhamos de
perto o planejamento da reforma do nono andar exigindo uma melhor
otimização do andar, que acolherá a partir do ano que vem os
estudantes da mobilidade acadêmica (advindos de outras universidades
federais do Brasil), que residirão conosco na casa por um ou dois
semestres. Organizamos uma recepção aos novos moradores no primeiro
semestre e o debate na casa dos candidatos a reitor. De tudo que
fizemos, creio (pessoalmente ou não) ter sido de suma importância a
manutenção da própria associação, mesmo que decadente, mas mantida
viva. Reuniões abertas no halls dos andares, visíveis, pessoal bem
humorado e encontros divertidos para suportar a angústia de perceber
nossa impotência frente às problemáticas da casa.
Em breve, estarão abertas as inscrições de chapas ou pessoas afim de
participar da AMCEU. Quem assumir esse compromisso deve, no mínimo,
perceber que por essa linha histórica acima descrita, que o furo é
mais embaixo, não é tarefa fácil, mas essencial no que toca a todos
que pensam que a CEU pode ser uma casa, a sua casa - e não apenas um
prédio da Ufrgs. Perceber-se aqui como morador, antes de estudante da
Ufrgs.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
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